Trinta e poucos anos, geração rivotril.
No país que vivo, o rivotril todo ano fica na lista dos 10 remédios mais vendidos. Isso significa que a nação está fodida com depressão. Motivos para isso não faltam. Aqui todo filho da puta que trabalha de verdade se fode 2600 horas por ano para pagar impostos. Nas outras tantas mil horas o otário se fode para bancar sua vidinha mediocre, sua tv a cabo e a gasolina do carro da filha - que provavelmente o usará pra foder um vagabundo qualquer. Se o cara ganha um bom dinheiro com o trabalho, começa a virar viado. Não toma mais cachaça e fica preocupadinho com o rótulo do vinho. Depois disso, para de foder a patroa e toma chifre do motorista.
Odeio rivotril. Nunca tomei, mas só por ser vendido em uma drogaria que não vende drogas de verdade eu já antipatizo. Drogaria tinha que vender maconha, cocaína, lsd, ecstasy e aquelas drogas que a gente só vê em filme, tipo heroína, metanfetamina, speed e todas as loucuras.
Rivotril tem toda a indústria farmacêutica por trás, e só de imaginar que a minha viagem poderia estar bancando as putas de luxo de um mega capitalista, já fico com nojo.
Além disso, rivotril é droga pra madame. Pra madame que não aguenta sentir cheiro de perfume barato na gola do marido que ta comendo a buceta da secretária gorda no intervalo do café. Rivotril é droga pra patricinha que já se ligou que vai se foder na vida, que não vai arrumar um macho rico e não vai conseguir comprar as tranqueiras que as vadias anunciam em um blogue da moda. Rivotril é droga de frouxo. É droga de quem precisa de prescrição para viajar.
É por isso que eu curo a chatice da minha vida medíocre fumando maconha até o pulmão secar, e tomando café até o estômago fazer ferida. Depois de uma meia hora que fumo o baseado, fico sonolento e pra acordar, doses cavalares de café. Mas jamais tomo café antes de fumar - fico agitado. E, pra mim, a vida deve ser encarada com muita letargia, porque é isso que a vida merece, toda a minha indiferença e o dedo do meio em riste.
Passo os dias com literatura barata, internet discada e me refugiando com um toca discos onde comumente ficaria uma televisão retangular de led equipada com 450 canais.
Recuso-me a trabalhar. Mas não pensem que sou socialista, comunista ou esteja alinhado a qualquer discurso esquerdista. Pra mim, feminista é tudo lésbica e lésbica só é lésbica porque é mal comida. Viado só é viado porque foi enrabado na infância ou porque não levou uma surra na hora certa. Com maconheiro eu até simpatizo, mas só até a hora que eles resolvem sair de casa para pedir a legalização. Revindicar direito é coisa de otário. Maconha boa é maconha proibida. Vai ser só legalizar essa porra para começarem a vender maconha desmaconhizada.
Daí você pode perguntar o que eu faço pra ganhar a vida. E eu te respondo, eu não faço nada para ganhar a vida. Essa eu já perdi faz tempo.
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